13 de fevereiro de 2013

Megaman Zero: Prodígio da Franquia Megaman

    
    Olá, leitores do Lugar de Nerd! Quem vos fala hoje sou eu, Dipaula. Eu sou o autor de uma postagem sobre antagonistas publicada há um tempo atrás, que pode ser vista clicando aqui. Como Juninho me cedeu mais espaço em seu blog, aqui estou novamente.

    Hoje vim falar de Megaman. Quem, pelo menos, não ouviu falar dessa franquia de games de plataforma que é sucesso absoluto no mundo todo desde a época do “Nintendinho”? Para os dois ou três que chegaram do planeta Oa agora, vou resumir do que a franquia se trata:

    No futuro, humanos e robôs vivem lado a lado em prosperidade até que, eventualmente, alguns robôs se rebelam contra os humanos e tentam dominá-los. Então surgem robôs que, para proteger os humanos, decidem lutar contra seus irmãos rebeldes, e são esses protetores da humanidade que o jogador controla, quase sempre.

    Essa síntese resume, grosso modo, as duas primeiras séries da franquia, Megaman e Megaman X. Claro que há diferenças entre as duas, mas no fim a idéia-base é a mesma. Um bom exemplo disso são os protagonistas: o personagem “X” da série Megaman X é uma espécie de versão melhorada de Megaman, o protagonista da série de mesmo nome.

    Hoje, no entanto, falarei de uma série da franquia Megaman que difere bastante das citadas acima em diversos aspectos: Megaman Zero, lançada para o Game Boy Advance. Falarei dela, pois não vejo muita gente falando a respeito, pelo menos não com a justiça merecida. Falarei também porque a considero a melhor série da franquia e uma das minhas séries de games favoritas.

    A primeira razão pela qual amo tanto a série Megaman Zero é seu protagonista: Zero. Permitam-me descrevê-lo e entenderão como ele se tornou um dos personagens mais amados da franquia, se não o mais amado...

 

 O Protagonista

 


    Zero surgiu em Megaman X, no Super Nintendo, como um coadjuvante, mas na medida em que novos títulos eram lançados ele foi ganhando cada vez mais destaque. E foi justamente essa atenção dada a Zero que melhorou os enredos dos jogos da série.

    Em Megaman X a história não vai muito além do resumo que eu fiz alguns parágrafos acima, mas em Megaman X2 ela melhora um pouco, pois tem Zero como foco. Em Megaman X3, Zero já é um personagem controlável, mesmo que só em algumas partes do jogo, podendo mudar o rumo da história. Em Megaman X4, X5 e X6 ele se torna um protagonista, sendo possível controlá-lo o jogo inteiro. Além disso, o enredo melhora consideravelmente, pois o passado e os poderes ocultos do personagem são revelados e a história passa a girar em torno deles. Isso fez com que ele roubasse a cena totalmente, fazendo de X quase que só uma ferramenta para manter a identificação visual com os jogos mais antigos.

    Não posso afirmar com certeza, mas tenho a impressão de que o crescimento de Zero teve a ver com seu apelo para com os fãs, que quiseram uma participação cada vez maior do personagem na série. Isso, meus amigos, se chama CARISMA! Partindo desse raciocínio, nada mais natural do que ele protagonizar sua própria série, não?

    E já que falei do bem que o personagem fez ao enredo da série Megaman X, é justamente esse um dos aspectos que fazem a série Megaman Zero se destacar. Falemos disso, então:

 

O Formato do Enredo

 


   Os enredos da série Megaman Zero não são dignos de um livro best seller, mas foram escritos com mais cuidado, mostrando preocupação com a história e seus personagens. Observe que em Megaman e Megaman X existe um mundo pacífico, vilões querendo destruir essa paz e protagonistas para impedir os vilões. Esse é o modelo mais simples e desinteressante de enredo possível. Ele é usado nas primeiras histórias de super-heróis e satirizado incansavelmente em desenhos como Meninas Super-Poderosas.  De Megaman X4 em diante, como já mencionado, Zero ganha destaque na história e seu passado é explorado, adicionando alguma profundidade à mesma, mas não alterando o formato.

    Em Megaman Zero o formato é outro, bem mais atraente. Aqui a luta é travada contra a paz estabelecida, pois ela se sustenta da miséria de uns poucos. Os protagonistas aqui lutam para mudar o mundo ao invés de meramente mantê-lo seguro. Isso é visto também em RPGs como Final Fantasy 7, aclamados por seus enredos.

    Outro detalhe importante é que no primeiro formato, visto em Megaman X, os personagens são vistos pela humanidade como heróis. Já neste, eles são vistos como criminosos, pois os humanos são justamente aqueles cuja paz se beneficia do sofrimento dos robôs, a minoria oprimida. Colocar os seres humanos num papel diferente do de vítimas foi algo inovador para a franquia.

    Esse estilo de história torna o protagonista mais convincente, pois ele desafia as leis em nome de uma causa ao invés de punir aqueles que as transgridem. É mais fácil admirar um mártir do que um carrasco.

    Algo que também deve ser notado são os muitos diálogos presentes ao longo dos quatro jogos, que existem em maior quantidade do que nas outras séries da franquia. Vale destacar as falas dos chefes de fases, que a partir do segundo título ganham uma frase para quando são derrotados (as famosas últimas palavras), às vezes amaldiçoando o protagonista, às vezes lamentando por terem falhado em destruí-lo. A partir do terceiro jogo os chefes ganham frases de vitória, vangloriando-se por terem eliminado o lendário Zero. Isso acrescenta alguma personalidade a personagens tão secundários, deixando-os mais interessantes.

    Assim, fica claro que nas séries anteriores o gameplay era a prioridade e o enredo um complemento. Na série Megaman Zero ambos têm igual importância. E já que mencionei o gameplay, falemos disso então:

 

O Gameplay

 

Zero e algumas de suas diversas armas!

    A “série Zero”, como meus amigos e eu chamamos, inspira certa polêmica quanto a sua jogabilidade por vários fatores, mas principalmente pela dificuldade. O que acontece é que houve um resgate ao nível de desafio original da franquia, em parte perdido nos títulos lançados para PS1.

    Embora alguns tratem tal dificuldade como se causasse aneurismas e combustões espontâneas, não é bem assim. O jogo exige mais do jogador, mas também oferece muito mais recursos do que o normal, permitindo tornar Zero bem mais poderoso do que os chefes, se você for paciente. Agora, se você se importa com “ranking” ou coisa parecida, pode se frustrar um pouco. Veja só:

    A cada fase completada você recebe uma nota (chamada de level no jogo) indo de S (a mais alta) a F (a mais baixa), e os recursos que mencionei acima fazem sua nota final cair. Logo, quanto mais poderoso Zero se tornar, piores serão suas notas ao término das fases. Se quiser manter uma nota alta terá que jogar com a barra de vida e os recursos iniciais, coisas que só um monge ou um robô teriam paciência para fazer.

    Algo interessante são os apelidos que você recebe junto com as notas. Os apelidos variam de acordo com fatores tais como a arma usada, quantidade de dano recebido e velocidade com que a fase foi concluída, podendo ser lisonjeiros como “espadachim perfeito” ou nem tanto, como “atirador lerdo”. Esses felizmente nada têm a ver com os recursos utilizados.

"Crasher". Mesmo com nota F você ainda pode tirar onda com um apelido legal!
    Outra razão pela qual os bundões - ops! - “jogadores casuais” reclamam é que aqui é muito mais trabalhoso fortalecer o personagem (aumentar a barra de vida, etc.). Coisas como os corações (que aumentavam a barra de vida) e as parts (que ofereciam melhorias, como pular mais alto) vistos em Megaman X foram abolidos na série Zero, sendo substituídas por Cyber Elfos.

    Eles são seres que, quando utilizados, proporcionam todo tipo de recurso, como aumentar o número de vidas, a velocidade, o dano causado, até mesmo se tornarem subtanks. Só que grande parte deles precisa ser alimentado com cristais de energia antes de ser usado, levando o jogador a ficar voltando nas fases para juntar os tais cristais, algo que pode ser bem cansativo visto que certos cyber elfos precisam de uma quantidade exorbitante para tornarem-se utilizáveis.

    Não posso deixar de citar algo que também é exaustivo para alguns, abolido do terceiro jogo em diante: a necessidade de evoluir as armas de Zero. Poi é, em Megaman Zero 1 e 2 você não pode sair por aí fazendo combos com a espada ou carregando tiros desde o início, as armas só alcançam sua efetividade normal depois de evoluírem uns três níveis em média, com uso constante. O lado bom é que, se houver persistência, é possível deixar as armas muito mais poderosas do que o normal (sendo possível até mesmo usar ataques carregados com a espada!), o lado ruim é que algumas armas levam em torno de duas encarnações para atingir níveis altos...

    Bem, dificuldade à parte, o gameplay não fica devendo nada a outros títulos da franquia. A bem da verdade, se o medo inicial da dificuldade for vencido, a experiência pode ser ainda mais rica, já que as fases têm mais coisas a serem descobertas (como os cyber elfos) e a variedade de armas prolonga o tempo de jogo, pois elas possuem características particulares exigindo tempo para dominar cada uma.

    Além do ótimo gameplay, o jogo nos presenteia constantemente com capricho visual. Permitam-me ilustrar o que disse:

 

O Visual

 

 
    Imaginem que boa surpresa foi para mim, quando destruí meu primeiro inimigo com a espada esperando que ele simplesmente explodisse e, no entanto, ele teve seu corpo partido em dois. Isso mesmo! Quando você mata inimigos com golpes cortantes, seja com a espada ou outra arma cortante qualquer, eles se partem de uma variedade de formas dependendo do inimigo em questão. Isso também vale para os chefes, me obrigando muitas vezes a abandonar a estratégia de atirar de longe e me arriscar a matá-lo de perto, apenas para cortá-lo ao meio. Ah... São essas pequenas coisas que fazem a vida valer a pena afinal... 


Cortar chefes ao meio não tem preço...
    Isso demonstra que houve grande dedicação no desenvolvimento do jogo. A Capcom podia fazer isso mais vezes...

    Outra demonstração de preocupação com detalhes são as belíssimas ilustrações que acompanham certos momentos da história, que são de encher os olhos, apesar da baixa resolução (a tela do Game Boy Advance é menor que a palma da sua mão, dê um desconto...). As ilustrações são de Toru Nakayama e, em minha opinião, deixaram ainda melhor o personagem Zero, que já era incrível. O traço do artista possui dinâmica e expressividade que eu poucas vezes vi igual. Isso sem falar que adoro esse visual meio infantil em contraste com o clima de guerra que a história transmite.

    Em geral, o gráfico é muito bonito, bem movimentado e detalhado, principalmente considerando o já mencionado tamanho da tela do console.

    E já que falamos da agradável experiência visual, não podemos deixar de falar da auditiva, que não fica atrás. Bora lá!

A Trilha Sonora

 

 

Capa do fantástico CD Mythos!
    O primeiro título apresenta uma trilha bem competente, com músicas muito boas (algumas são ótimas), mas que não saem muito do padrão “música de fase”. Do segundo título em diante, porém, a evolução é notável e a trilha outrora competente se torna ARTE! Você se pegará assobiando ou cantarolando as músicas do jogo e provavelmente vai querer baixá-las para ouvir depois. Sério, poucos jogos 16 bits possuem músicas que vão além da obrigação de dar clima às fases! Só a série Donkey Kong iguala tal proeza!

    Para provar, deixarei aqui alguns links de algumas das mais marcantes da série, sendo que a primeira coluna corresponde às versões originais em MIDI e a segunda às versões remasterizadas:

Neo Arcadia (Megaman Zero 1)       LINK  LINK
Flash Back (Megaman Zero 2)          LINK  LINK
Cannon Ball (Megaman Zero 3)        LINK  LINK
Straight Ahead (Megaman Zero 4)    LINK  LINK

    O melhor de tudo é que as trilhas sonoras dos quatro jogos ganharam versões remasterizadas lançadas em cinco brilhantes CDs:

Remastered Tracks Rockman Zero (Megaman Zero 1)
Remastered Tracks Rockman Zero – Idea (Megaman Zero 2)
Remastered Tracks Rockman Zero – Telos (Megaman Zero 3)
Remastered Tracks Rockman Zero – Physis (Megaman Zero 4)
Rockman Zero Soundtrack Collection – Mythos (uma coletânea de todos).

Vale muito a pena conferir!

Considerações Finais

 

Terminem de ler logo que eu tô com sono...

    Baseando-se nos aspectos aqui descritos, pode-se concluir que Megaman Zero é uma série de jogos bem desafiadores, agradáveis aos olhos e ouvidos e com o melhor enredo da franquia, até hoje.

    Aqueles que como eu, são exigentes, e além do gameplay apreciam um bom enredo, não terão do que reclamar. Aqueles que não dão a mínima para a história, ainda encontrarão aqui jogos com ótimo gameplay e alto nível de desafio, garantindo horas de diversão. Agora, se você gosta de jogos menos trabalhosos (mas ainda desafiadores), recomendo que jogue os dois últimos títulos da série: Megaman Zero 3 e 4 (se não se incomodar em perder metade da história...).

    Ah, quase me esqueço. Para aqueles que se frustram com um pouco de dificuldade e detestam ter que se esforçar, aqui vai uma boa notícia:

    Existe uma coletânea dos quatro jogos da série chamada Megaman Zero Collection, para Nitendo DS. Nela existe um modo onde você joga os quatro jogos em seguida com se fossem um só, com o máximo de recursos disponíveis desde o início, eliminando qualquer desafio. Talvez você devesse tentar, depois de comer toda sua papinha e arrotar... E tirar um soninho... FRACOTE!

    Enfim, se você é um fã de Megaman e ainda não jogou Megaman Zero, não pode deixar de conferir.

    Isso conclui esta postagem, meus caros. Como já havia dito, sou novo nessa coisa de postagens e estou aberto a dicas, sugestões e críticas (mas deixem minha mãe fora disso...). Se você se ofendeu com este texto e quer me punir (e provavelmente curte uma papinha e um soninho...), fique à vontade. Polêmica dá audiência!

    Até a próxima!

5 comentários:

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

belo texto sobre a série Zero.

eu tenho essa coletânea para o DS. mas faz um tempo que não o toco, quem sabe hoje, começe a destrinchar os quatro jogos?

vou tentar hoje de tarde

Juninho! disse...

Faça isso meu jovem! Não vai se arrepender. E cuidado com a dificuldade do Zero 4 que é uma mistura de "cruz credo" com "deus me livre"

Anônimo disse...

Dipaula: Que bom que vc gostou do post, Leandro. Espero que você curta essa incrível franquia.^^

vitor disse...

Eu acho a história do mmz muito boa mesmo. Sou um fanático pela franquia megaman, mas esse jogo me prendeu pelo ótimo enredo que tem. O enredo é profundo e só não foi mais aprofundado, pois não combinaria com a franquia. Só que ainda assim a história é excelente. Acho uma boa dificuldade. Outra coisa excelente no jogo é que não tem aquela do sigma voltando sempre como na serie x ou o dr willy na saga clássica. Cada jogo tem seu vilão final e ele está sempre ligado ao outro e a história total você só descobre no último jogo da serie. A possibilidade dele usar outras armas é outra coisa ótima. Enfim, acho a melhor serie da franquia fácil. É o meu jogo preferido. Sou viciado em megaman né? Sou meio suspeito kkkkkk

renji abarai disse...

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