14 de março de 2015

Persona 4 Arena - Maturidade Voltando? Quem Diria!!!!


Bom, eu sou fã de Persona, adoro a série mais do que tinha direito, mas não sou cego pra ver o tamanho retrocesso depois do Persona 2 Eternal Punishment.

Persona 3 e 4 são ótimos mas abaixo tanto do que eu esperava quanto do que poderia ser em termos de profundidade, e eu já falei isso mais de mil vezes então no máximo posso deixar os links de tudo que já falei deles por aqui.

Se não entendeu, eu já fiz um leve "desabafo" sobre isso e basta ler pra ficar por dentro da minha cabeça pensando sobre a série.

Mas aí o que acontece. Anunciaram um jogo de luta pra continuar o RPG Persona 4. Que ideia mais.... Bizarra?

Estranha?

Maluca?

Incompreensível?

Sim. Tudo isso. Eu suponho.


Mas Persona 4 Arena veio e eu não sabia o que esperar, meu amigo comprou e recomendou. Falou que a história era muito boa e vi numa promoção uns tempos atrás e resolvi dar uma chance.

Afinal, por que não?

Comprei. E logo de cara veio o espanto.

Primeiramente, se você está acostumado com jogos de luta tendo story modes tipo Mortal Kombat 9, vai desapontar muito suas expectativas. Porque o modo desse jogo é MUITO FODA, diferente do meh MK9.

O motivo é simples: apesar que eu gosto do MK e etc, o formato beneficia principais e pronto, quem é fraco não tem destaque por ser fraco mas num jogo de luta você tem que pensar em todos os lados, ou seja, em todos os jogadores. Se eu gosto do personagem fraco, não importa como, eu quero ver ele vencendo e não tomando surras.

É nesses pontos que o Skullgirls foi foda, ele mostrou exatamente o lado certo do jogo de luta e ainda fez melhor, porque explorou dois lados da moeda, mostrando coisas de um personagem jogando com outro e isso com todos. Então é bacana explorar aquele mundo. Persona 4 Arena faz a mesma coisa. Exatamente a mesma coisa e ficou FODA!

O enredo do jogo é bem cabeça, maduro mesmo.

Até tem um formato diferente e interessante.

Uma das cenas mais tristes do jogo


Inicialmente temos só quatro personagens pra jogar mas os outros vão se abrindo ao decorrer, através deles vamos vendo eventos e a história para digamos pouco a frente da metade e aparece um "continuará" na sua cara, depois de zerar com eles, vai abrindo mais e mais até chegar na Labrys, jogando com ela temos a visão dela de tudo que aconteceu pra ela ser daquele jeito e é simplesmente fantástico e até trágico. Muito deprimente tudo que aconteceu com ela. Mesmo eu que sou um bruto coração de pedra quase fiz um suor masculino descer pelo rosto.

Ela é uma robô que veio a produção pelo Kirijo Group antes da Aegis, sim, a robozinha adorável que aprendemos a amar em Persona 3. E com isso ela foi treinada pra ter uma consciência que se aproxima da humana e com isso adquiriu persona e também sentimentos mas tudo contado pouco a pouco (por mais idiota que pareça, é convincente) e triste. Muito triste. Tem partes de doer o coração mesmo.

Então, quando se termina o Story Mode dela, você abre o restante da história. O motivo é simples, você vai confrontá-la mas não saberá porque ela age e pensa daquele jeito, os seus personagens só pensam por eles, e assim você vai ver os dois lados da moeda. É um formato inteligente de muita criatividade, eu diria.

Labrys não é puramente maligna e seus personagens tem defeitos e coisas mal resolvidas do Persona 4 são colocadas à prova. Isso é muito foda e sem contar que quando se joga com cada personagem, ele é o protagonista, a história segue um mesmo fluxo porém tendo ele como principal e nisso diálogos e situações mudam por completo, sendo obviamente um modelo mega bem feito de se contar uma história por um longo tempo, sendo em média 1 hora e meia pra ver a história completa de cada personagem.

Somado tudo isso ao subtítulo que cada personagem carrega consigo, fica tudo ainda melhor.

Incrível como um jogo de luta com tanto personagem tem tanta vida útil

Antes que me pergunte, esse subtítulo que cada personagem tem é uma "pista" de tudo que vai acontecer dentro da história, e de longe o melhor exemplo é do Yosuke com o apelido de "Capitão Ressentimento". Não vou dar spoiler porque é sacanagem mas acredite, ele melhora bastante como personagem nesse arco do P4A e esse desenvolvimento torna ele consideravelmente mais interessante do que já era.

Se pensa que era "só" isso, tem mais. Vish, como tem.

Em suma, quando você começa o jogo, coisas estranhas começam a acontecer e um torneio é anunciado com Teddie, depois disso você vai investigar no mundo da TV e simplesmente cada personagem começa a ter de lutar com os outros, mas não "porque sim". Acontece que eles são ofendidos e acabam por imaginar que estão lutando com cópias e etc mas na verdade é aquele mundo da Labrys iludindo eles fazendo com que ouçam somente o que NÃO QUEREM ouvir. Com isso esse conflito mútuo faz todo esse combate vir à tona até o ponto de se entender Labrys, confrontá-la e vencê-la.

O mais bizarro é que o Story Mode completo de cada personagem dura cerca de 1 hora e meia mais ou menos. Então dura bastante, e ver todos os acontecimentos, personagens, diálogos e alguns casos até mesmo tem escolhas e etc. É bem completinho e bem caprichado. E de quebra tem muito modo extra pra ficar brincando por longo tempo, porém tem o problema do gameplay que já já eu cito.

Ironicamente mesmo o Arcade tem finais bons exceto personagens como Elizabeth ou Shadow Labrys, que não tem absolutamente nada além de um "CONGRATULATIONS AND FUCK YOU" depois de terminar. Ou seja, um belo e fantástico nada.

Vai Chie, use o seu "Bruce Lee Kick"

O jogo seria perfeito se não fosse um problema pequeno e outro bem grande. O pequeno é meio que dose dupla, poucos personagens incluindo somente a galera do 3 e 4 (lembrando que a galera do 3 é quase super herói aqui) e as músicas que poderiam ser melhores mas passam longe de serem ruins, mas veja bem, eles usaram Reach Out To The Truth e definitivamente ela não combina com um jogo de luta, assim como não combinava com um RPG e dificilmente vai combinar com alguma coisa em algum momento da história dos games. Mas ao lado dela tem só uma ou outra que destoam totalmente, o restante acabaram por escolher bem.

Mas no geral, as músicas funcionam bem, mas elas funcionariam melhor num RPG, no caso, as do Persona 4. Porque as do 3 são boas em qualquer lugar e se você jogar com a galera do 3, todas as músicas vão mudar, a de mistério, batalhas, chefes e até batalha final vai mudar pras músicas do 3. E isso é ótimo e um capricho e tanto.

O outro problema e definitivamente maior problema do jogo é a sua mecânica. Simplesmente pobre. É uma coisa totalmente facilitada e obviamente feita pra não afastar os jogadores de RPG do jogo mas custava MESMO ter dois modos do qual um fosse um mais tranquilo feito pra aqueles que só querem ver a história e outro normal como os jogos do qual P4A foi feito por cima?

Pra quem não sabe, quem fez foi a Arc System com o meu ídolo Daisuke Ishiwatari, então como já sabe, ele usou a engine de BlazBlue, que por sinal é uma versão evoluída da engine do Guilty Gear XX e etc.

Então, custava ter dois modos como eu disse acima? Sério que custava?

Uma das muitas cenas épicas.

Tudo uma questão de metralhar quadrado (ou X no Xbox 360) e simplesmente vai sair um combo PRONTO! Sim, PRONTO! E tem ataque fraco e forte com persona e sem persona. Só isso. Não muito além, e o que tem mal faz muita diferença porque o gameplay se baseia em combos simplórios e pobres e como diferencial tem status de RPG durante a luta causado por magias de persona durante os ataque...

...sério? Eu realmente não consigo ver isso como uma boa ideia. No máximo como algo inútil que estando ali ou não sequer me faz diferença.

Outro fator é que os especiais são MUITO rápidos, alguns duram míseros segundos e não há muita elaboração no sistema como um todo, e pra variar, tem os instant kills (porque TODO jogo da Arc System precisa ter isso mesmo quando não há necessidade) e infelizmente não são grande coisa.

Apesar dos personagens do Persona 3 terem sentido o peso dos anos passarem, o visual deles ficou MUUUUUUUUUITO tosco também. Minha nossa. Akihiko, meu deus, o que fizeram com você? Pobrezinho!

...

Um minuto de silêncio em luto ao character design legal dos personagens do P3 que simplesmente foram pro espaço.

...

Porém, apesar do gráfico serrilhado e do gameplay relativamente pobre, o jogo vale a pena SE você tiver foco absoluto em narrativas e quiser saber o que acontece depois de Persona 4.

Porque falando francamente, se você jogar, não será por sistema, e sim por sua história e você passará MUITO mais tempo lendo do que jogando, típico de um RPG. Ao menos no Story Mode que é o prato principal, óbvio que pode se divertir com o resto mas saiba que determinados arcos de história, lendo calmamente, as batalhas podem acontecer entre 10 a 20 minutos, de tanto diálogo que o jogo tem. Então tenha isso em mente.



E eu gostei mais dele que de muito RPG e se comparar ele com o Persona 4...

Eu achei o Arena melhor. Motivo: mais sério.

Sim, ele é mais adulto, mais cabeça, tem umas coisas mais intensas e vão além de chiliques juvenis que vi em Persona 3 e 4 (mesmo gostando deles), então é difícil negar pra si mesmo ao jogar o quanto a ideia do P4A acaba por ser mais madura e sem querer resgata parte de uma seriedade relativamente perdida na série.

Ele aborda temas bobos ainda? Sim. Bem usados? De fato, são! Não dá pra negar. Mas acaba por ter mais foco na seriedade e mesmo Yosuke foi relativamente melhorado, tal como os outros mantiveram o nível ou melhoraram. Até mesmo o lixo do Teddie melhorou graças ao story mode. E também tem um humor mais refinado, tipo a campanha inteira da Elizabeth que é simplesmente fantástica além de unir os mundos de Persona 3 e 4 num só jogo e de forma que o defeito maior da história acaba por não ter um fim.

Porém, esse defeito virou qualidade, porque a história é tão mas tão boa que eu quero muito que tenha continuação. Mas que pelo amor de Higor, que não dure 20 jogos pra chegar ao fim. Persona 4 Arena é um jogo que não foi perfeito porque os desenvolvedores não quiseram mesmo. E o mais bizarro é que repetiram todos os erros de mecânica na sequência, que por sinal já tenho pirata no Xbox 360 mas não joguei direito.

Ou seja, ainda vou jogar. Mas acredite, o gameplay cansa por ser literalmente o mesmo e vou dar um bom descanso até pegar o Persona 4 Arena Ultimax Suplex Hold. Muitas ideias ideias boas podem rolar nesse jogo por conta do desfecho da história do Arena.

Tem dois mundos unidos num só jogo, Persona 3 e 4. Apesar do baixíssimo número de personagens jogável, ainda vale a pena. Acho que seria ainda mais incrível se elaborassem com a galera do 1 e 2 junto. Mas quem sabe essa ideia algum dia não tome forma. Difícil não é fazer algo assim.

Katsuya vs Tatsuya - A Batalha do Século
Tá vendo?

PS: se você tem videogame nacional, não compre a edição física porque é O ÚNICO jogo do PS3 com trava de região.

3 comentários:

DevTam disse...

Ia se foda se eles pegassem a galera do 1 2 e 5 pro próximo

Paulo disse...

juninho sou seu fã. Mas essa foi uma análise de jogo de luta ? muito fraca cara. Não sei se era o seu objetivo nessa análise o analisa-lo de tal maneira, Todos sabemos que em um jogo de luta o que realmente importa é sua mecânica e jogabilidade, e foram sobre o que você menos falou, e quando falou, foi bem superficial e mal explicado, na minha opinião. Repito: Não sei se foi sua intenção analisa-lo como tal.
Desde já, espero que possa aproveitar algo dessa crítica; um forte abraço
PAZ

Juninho! disse...

Cara, a mecânica do jogo é fraca e eu deixei a minha indignação nesse exato ponto:

"O outro problema e definitivamente maior problema do jogo é a sua mecânica. Simplesmente pobre. É uma coisa totalmente facilitada e obviamente feita pra não afastar os jogadores de RPG do jogo mas custava MESMO ter dois modos do qual um fosse um mais tranquilo feito pra aqueles que só querem ver a história e outro normal como os jogos do qual P4A foi feito por cima?"

E tipo, mano, não levo por mal o que tu disse sobre eu ter explicado de forma superficial mas acontece que a mecânica é absurdamente superficial e não tem muito o que ser explicado a não ser que você metralha quadrado e vence as lutas assim. O que é uma pena.

Ironicamente, mesmo pra um jogo de luta, o Persona 4 Arena é um RPG melhor do que jogo de luta, porque enquanto jogo de luta ele é fraco mas enquanto RPG ele é sensacional. Por isso que eu recomendei somente pra quem curte mais ler do que jogar.

E não hesite em deixar sua opinião sendo boa ou ruim. Não precisa se preocupar com isso :D