22 de agosto de 2016

Entrevista Com Keoma (Not the Cowboy)

Pra quem não conhece, Keoma é o um dos melhores jogadores de Street Fighter do mundo e do Brasil, participou e venceu de vários eventos e suas melhores participações foram na Capcom Cup de 2015 e na BGS 2015 vencendo Haitani, um dos cinco lendários deuses japoneses do Street Fighter e sua incrível Makoto.


 

1 – Como foi o seu começo na cena competitiva? Como foi chegar até aqui e ser reconhecido mundialmente à ponto do Daigo citar você na EVO 2016.

Keoma: Meu começo no cenário competitivo foi com Street Fighter IV em 2009, justamente por SF4 ser um jogo novo na época e eu não ter uma grande desvantagem em relação aos jogadores próximos de mim. Eu realmente me esforcei bastante e levei a sério conforme entrei em mais competições. Daigo sempre foi motivo de grande inspiração para mim, ter o reconhecimento dele como jogador é fantástico, e me motiva para seguir em frente sem me questionar.

2 – Existe muita polêmica sobre qual dos Street Fighter’s é melhor, o 4 ou 5, qual a sua sincera opinião sobre isso?

Keoma: Street Fighter V. O sistema de jogo está melhor e o jogo finalmente está tomando forma como produto e serviço. Acredito que na próxima temporada fique ainda melhor.
3 – A sua participação nos últimos torneios do USF4 foram incríveis, como foi pra lidar com as matchups ruins do Abel? Qual o método de treino?

Keoma: Meu método de treino sempre foi em cima de vídeos próprios e de outros jogadores dos quais eu possa entender a linha de raciocínio, independente do matchup. Para campeonatos como Dreamhack Winter e Capcom Cup pude contar com jogadores fortes que inclusive me eliminaram em campeonatos anteriores, como MBR, que contribuiu muito para que eu melhorasse meu jogo contra Akuma.

4 – Agora em SFV, a mudança de estilo de personagem foi muito forte, de Abel pra Karin foi uma mudança muito brusca, eu deduzo. Como foi pra se adaptar a essa velocidade de personagem?

Keoma: Este vem sendo um grande desafio para mim. Eu nunca fui bom com personagens que andam muito rápido, e a Karin exige uma dedicação muito maior no jogo neutro do que qualquer personagem que já tenha utilizado por ter pouco life e não ter um antiaéreo 100% confiável sem EX, porém acredito que o investimento a longo prazo em um personagem como ela é a decisão correta por me ajudar a ter uma percepção maior do jogo.

5 – SFV permitiu um acesso maior aos jogadores, a EVO já mostrou esse sinal saltando de 2 mil pra 5 mil inscritos em Street Fighter, você acredita que no Brasil esse sinal já é significativo também?

Keoma: Na verdade não, mas não posso dizer com 100% de certeza. O cenário competitivo em si parece um pouco mais frio do que em anos anteriores, e apontar uma causa específica parece difícil.

6 – Se fosse escolher o melhor jogo de luta feito até hoje, qual seria? E por que?

Keoma: Capcom vs. SNK 2, por todos os elementos, personagens e mecânicas diferentes que ele apresenta em um jogo só. Temos mais de 50 personagens e cada um deles tem ao menos seis maneiras diferentes de jogar em sua essência (sem contar EX Grooves). A composição do jogo em si é muito boa, a apresentação é excelente e a trilha sonora encaixa com os elementos do jogo com perfeição.

7 – No seu blog, você citou a importância de um rival, quem foi seu maior rival em USF4 e qual é o atual no SFV?

Keoma: Sempre considerei um rival qualquer jogador com grandes chances de me vencer, ou seja, alguém que me faça sentir a necessidade de me tornar mais forte para ser capaz de vencer com consistência, independente do jogo. 

8 – Em SFV o nível de execução facilitou e o de footsie aumentou por conta do Crush Counter, você acha que isso somado ao acesso facilitado à maiores jogadores vai aumentar ou diminuir o abismo de casuais e veteranos?

Keoma: Não acredito que a dificuldade de execução vá necessariamente diminuir a distância entre os iniciantes e os veteranos, pois no fim das contas o grande diferencial entre os dois níveis é a mentalidade no jogo.

9 – Em USF4 você era dos melhores jogadores de Abel do mundo e dos melhores no geral aqui no Brasil. Mas e no SFV, como você enxerga seu desempenho até agora? 

Keoma: Neste momento temos seis meses de Street Fighter V. Todos os jogadores voltaram ao ponto inicial, parecido com o que aconteceu em 2009 com SFIV. De fevereiro pra cá eu dei um salto gigantesco em termos de habilidade e conhecimento. É estúpido pensar que eu começaria no topo de um jogo baseado no meu desempenho no final do ciclo de vida de outro, e apesar de almejar o topo eu não tenho pressa. Se meu treino for bom o bastante sei que posso alcançar este objetivo em breve, então até agora estou bastante satisfeito com a minha evolução já que ela vem sendo constante.

10 – Como jogador de nível Silver, ainda almejo a chegada do Gold, tenho evoluído a passos curtos, qual a dica que poderia dar pra quem assim como eu tende a evoluir mais lentamente na busca pelo mais forte?         

Keoma: Boa parte do processo de aprendizado e evolução é simplesmente tentativa e erro: Parar para observar o que vem dando errado em uma partida pode ser o bastante para levar um jogador à decisão certa.


Keoma, muitíssimo obrigado pela entrevista e como seu fã torcerei fervorosamente por você nos próximos torneios e obrigado por doar parte do seu tempo pra esse humilde e pequeno blog.

Nós vamos ao encontro do mais forte e dessa vez com um brasileiro representando com força total ^^